31/07/2007 18:12
A nova guarda das multi
Enviado por: Andre Araujo
No passado havia uma elite de CEOs de multinacionais, como Paulo Reis de Magalhães, Trajano Pupo Neto, Manoel Garcia Filho, Cezar de Andrade, Manoel Pio Correa, João Pedro Gouveia Vieira, Omar Carneiro da Cunha, Felix de Bulhões, que faziam parte de um meio social tradicional, itamaratiano, cujo papel era exatamente dar um verniz discreto e de alto nível à corporação.
A partir dos anos Collor, uma nova geração de CEOs apareceu na onda da globalização, executivos de outro perfil, ou de produção interna, vindos de baixo ou contratados no mercado como mercadoria, por headhunters. Esse novo tipo de executivo opera com kits de apresentação, curriculos vitaminados e maquiados, ligação com publicitários que tem a função de lhes levantar a bola na mídia para mais a frente colher verbas de propaganda, fortes links com promoters de eventos que lhes levantam o nome, na mesma linha de uma modelo, um jogador de futebol ou um cantor.
Houve uma evidente degradação de padrões na escolha desses CEOs, hoje qualquer um serve desde que tenha o kit de apresentação certo. Se não der resultados troca-se logo, enquanto os CEOs antigos duravam décadas.
Os headhunters e consultores tem hoje muito maior influência no processo e também formam alianças com esse perfil carreirista.
Nesse contexto aparecem tipos improváveis e inacreditáveis, protagonistas do salto triplo social, diretamente da várzea ao golfe, sem escalas.
É evidente que esse novo padrão já reflete uma grande mudança na economia brasileira, onde o capitalismo nacional é hoje mais forte em termos corporativos e reduziu o espaço político das multinacionais que podem portanto operar com executivos de segunda ou terceira linha, de escassa expressão política ou mesmo de liderança nas associações empresariais.
Não é preciso dizer que João Dória Jr., Amaury Jr. e outros puxadores de celebridades encontraram um excelente mercado nesse ambiente de executivos que procuram alta exposição na mídia, já que essa cara na vitrine é uma das principais alavancas de suas carreiras rápidas e geralmente fugazes, onde certos rostos em capas de revistas estão no ano seguintes no olho da rua, substituídos por outros currículos descartáveis.
Enviado por: Mathilde D\'Antanho
Caríssimo Nassif,
esse seu post deu origem a comentários sobre os mais variados assuntos. Gostaria, no entanto, de me fixar em um dos aspectos citados por você. A figura do executivo a frente das empresas, sua qualificação em relação ao momento do país.
Admirei muito o "brasileiro" Sauer, esse é um caso a ser estudado à parte. Basta ver o quanto a VW-AG ganhou com a aposta do Sauer no Brasil e quanto as americanas Ford e Chrysler perderam com suas idéias de deixar o país. Mas, esse é outro assunto.
Na época citada no seu post eu tinha um sobrinho trabalhando em uma multinacional alemã. Ele falava-me dos diretores que a Alemanha enviava ao Brasil. Todos com um Dr. (o phd dos americanos) antes do nome. É bom entendermos que esse Dr. tem um significado diferente entre alemães e brasileiros. A maioria dos alemães não é tratada com um Dr. antes do nome, independente do seu grau hierárquico, mas os que o possuem, prezam muito, muito mesmo, o seu uso. Toda essa história de Dr. é para levar a seguinte reflexão: O que levaria uma multinacional alemã a enviar seus melhores quadros ao Brasil? Ora o Brasil ocupava uma posição de destaque no planejamento estratégico dessa organização.
Mas, voltando às conversas de família, desde meados da década de 90 a tal multinacional não envia mais nenhum Dr. para postos chaves no Brasil. Por quê? Qual a importância estratégica do Brasil nos últimos 15 anos? Nenhuma, as multinacionais apenas mantiveram suas posições. Não se engane com o movimento provocado pelos FHC/Malan com as privatizações ou programa automotivo brasileiro. Eram negócios de ocasião, não se podia deixar passar. O Brasil se tornou um worldwide industrial player? Não, a China, sim. Não admira que em um cenário de tal desimportância estratégica os executivos fofos chegassem ao comando. Eles e suas consciências sociais baseadas nos ensinamentos do Monge e o executivo.
Pois bem, o Brasil aos poucos volta ao cenário internacional, titia vai acompanhar com interessante quem serão os meninos e meninas chamados a assumir o comando. Você, com sua experiência de gestão, contrataria um executivo-cansado para diretor?
Enviado por: José
Nassif,
Seu texto é muito importante ao criticar a visão mais curta dos CEOs de empresas no Brasil, mas eu queria adicionar um ponto (e desconsiderar o lado político ideológico que algumas pessoas aqui colocaram).
Nós temos agora um modo de administrar as multinacinais muito mais centralizado, a partir de sistemas de gestão que fazem as matrizes saberem detalhes da operação em tempo real.
Não que nós escondessemos algo, mas com certeza a autonomia diminuiu MUITO.
Somando-se a isto, temos que algumas atividades de suporte (finanças por exemplo) andam sendo centralizadas em alguns países e fechadas em outras. Eu sei de uma grande distribuidora de petróleo que no Brasil faz toda a tesouraria da América do Sul, só para dar um exemplo.
Todas estas coisas acabam por definir Executivos que recebem menos autonomia, e talvez até na escolha dos que chegam lá se faça a opção por perfis de menor estatura do que os que você citou.
MAs se isto é ruim nas multinacionais, aponta também que aqueles excelentes Executivos talves (TALVEZ) tenham espaço é nas empresas brasileiras que ousem ser grandes.
Enfim, o assunto é muito rico para debates.
enviada por Luis Nassif
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