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23/08/2007 07:00

A agroenergia e o meio ambiente

Coluna Econômica – 23/08/2007

Mato Grosso responde por 8% da produção mundial de soja, mais de 30% da produção brasileira. E parte dessa produção é em regiões da Amazônia legal.

Nos últimos anos, houve campanha cerrada na Europa contra a soja que proviesse da Amazônia, especialmente de novas regiões abertas na selva. Foi um movimento bastante estimulado pelas ONGs e que começou a afetar as vendas externas.

Por isso mesmo, o tema tornou-se prioritário para a Câmara Setorial da Cadeia de Oleaginosas e Biodiesel, criada pelo ex-Ministro da Agricultura Roberto Rodrigues.

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Ontem, em Cuiabá, na véspera do início da Bienal do Agronegócio a Câmara se reuniu para discutir, entre outros temas, a questão ambiental.

Coordenador de um dos fóruns, e representante da Abiove () Carlos Lovatelli descreveu os resultados de uma mudança estratégica, na qual o setor resolveu se antecipar aos ambientalistas.

A Abiove decretou uma moratória de dois anos, período no qual seus associados não iriam adquirir soja de áreas desmatadas posteriormente a 24 de junho do ano passado. Em seguida, chamou as ONGs para participar do processo.

Como 47% das biomas da Amazônia estão em terra devolutas, não iriam dar conta do recado sem a participação do governo. No mês passado, foi organizado um evento internacional, via Internet, com a participação de grandes clientes europeus, produtores nacionais e membros do governos, no qual todas as questões foram tratadas abertamente.

Em seguida, Abiove e Greenpace foram até a Casa Civil, para solicitar um interlocutor que pudesse, do lado do governo, auxiliar a monitorar a questão ambiental.

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Para ampliar a decisão, quando se negociou a moratória para o setor da soja, decidiu-se que, para entrar com o pedido, o agricultor teria que se comprometer a não plantar soja em terrenos na Amazônia legal desbravados depois de 24 de junho.

Na verdade, o impacto é maior sobre o preço da terra do que da produção. É pequeno o percentual de soja plantada na Amazônia, a maior parte da qual em cima de pastos abertos muito antes da data de corte. Mesmo as novas áreas abertas só começarão a produzir daqui a cinco anos, pelo menos.

Mesmo assim, serviu para marcar posição. O resultado foi a redução drástica do número de reclamações dos compradores europeus – apesar de, na reunião internacional, terem faltado os compradores americanos e japoneses.

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Esse movimento deverá se ampliar esta semana, quando os produtores mato-grossenses deverão assinar com o governo do Estado um pacto para Recuperação das Áreas de Proteção. Em um movimento paralelo, as associações de produtores locais já estão disseminando selos e certificações ambientais, com o qual cada propriedade certificada poderá vender livremente sua produção, sem as barreiras sanitárias e, agora, ambientais.

A mamona

Apesar do entusiasmo de setores do governo com o biodiesel da mamona, pesquisadores da Embrapa acham que a torcida é mais de cunho ideológico e social do que econômico. A mamona tem baixa tolerância a solos compactados, há dificuldade maior com a viscosidade do óleo, e muitas limitações nos cultivares – as culturas que preparam as sementes para plantio. Aposta-se mais no dendê, girassol e canola

O dendê - 1

Dentre todas as apostas da Embrapa, a mais certa é o dendê, que é uma cultura perene – isto é, que dá o ano inteiro. O dendê é considerada uma vaca leiteira, que permite a colheita diária. Se não tirar e usar, aliás, fermenta. É a cultura ideal para o pequeno produtor, inclusive por ser propícia a áreas degradadas. Mesmo assim, tem limitações geográficas: é boa para nordeste e parte da Bahia.

O dendê – 2

Tempos atrás, a Embrapa montou um acordo com instituições francesas , visando uma rede internacional de pesquisa do dendê, envolvendo países da América do Sul, Ásia e da África. A pesquisa permitiu cruzamentos de dendê que aumentaram a resistência e a produtividade. Essas pesquisas acabaram concentradas na Fazenda Urubu, a duas horas de Manaus, por barco ou avião. Parte do pólen deveria vir da África.

O dendê – 3

O problema foi que, em 2002, por alguma razão, a Embrapa deixou de renovar o acordo com os franceses. Pior: a Fazenda Urubu deixou de contar com recursos para manutenção. São 440 hectares de plantação viável de dendê. Mas, com seis meses de abandono, a floresta acaba com o local. A luta dos pesquisadores é convencer a Embrapa a retomar as pesquisas, recuperar o Urubu, para evitar um atraso de dez anos na produção de dendê.

O girassol

Na década de 80, quando sobreveio a primeira crise do petróleo, houve um esforço tecnológico para desenvolver o óleo de girassol. Criou-se uma estrutura de pesquisa, mas que acabou desaparecendo com o barateamento do petróleo. O girassol é considerado um óleo tão superior, que há quem lamente que ele seja desviado do consumo humano para a produção de biodiesel.

O algodão – 1

O grande “boom” agrícola atual em Mato Grosso é o algodão, inclusive permitindo a criação de alguns pólos têxteis promissores. Além do tecido, o óleo do algodão é considerado um dos mais promissores, ao lado da soja e do girassol – e do dendê para pequenas propriedades. Hoje em dia, segundo levantamentos da Secretaria da Agricultura estadual, com o câmbio a margem do agricultor é negativa.

O algodão – 2

Uma arroba de algodão sai por R$ 44,00 para o produtor. Na hora de vender, o produtor consegue apenas R$ 38,00 no mercado interno e R$ 35,00 para exportação. Mesmo assim, existem no estado 123 usinas para o beneficiamento de 850 a 900 mil toneladas de pluma/ano

enviada por Luis Nassif






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