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12/08/2007 21:31

A crise do "subprime"

A iniciativa do Banco Central do Japão de injetar um trilhão de ienes no mercado, mostra o grau de deterioração do sistema financeiro internacional, após a crise das hipotecas nos Estados Unidos. Depois que o BNP Paribas, da França, suspendeu os saques de dois fundos, constatou-se que a crise tinha atingido outros mercados. A próxima semana ainda será de amplo tiroteio.

Além do Japão, o Banco Central Europeu injetou US$ 130,6 bilhões no mercado, em função do efeito BPN Paribas. Além dele, outro fundo europeu, com 750 milhões de euros de ativos, também foi congelado, para evitar corrida dos investidores. O FED (BC americano) injetou US$ 24 bi e o Banco do Canadá US$ 1,64 bilhão. Não foi muito mas o Banco do Canadá sustentou que poderá aumentar, em caso de crise.

Esse efeito-cascata chegou a afetar até as ações do ABN Amro no exterior, depois do boato que o banco belgo-holandês Fortis estava encontrando dificuldades para obter empréstimo-ponte de 24 bilhões de euros para pagar a sua parte na compra do ABN Amro, cujas ações caíram 3,48%, depois de bater em queda de 9%. O Fortis, Royal Bank, Scotland (RBS) e Santander, ofereceram 71 bilhões de euros (US$ 97,24 bilhões) pelo ABN.

Segundo o consultor Nouriel Roubini, ex-conselheiro do presidente Bill Clinton, a atual crise é mais grave do que a de 1998, quando ofundo de hedge LTCM perdeu US$ 5 bi. Na época era uma crise de liquidez – ou seja, de falta temporária de recursos para atender os saques. Agora, segundo ele, é uma crise de solvência: ou seja, de falta de lastro para os empréstimos, o que tornaria o episódio bem mais grave.

No curto prazo, o Brasil deverá ser pouco afetado por essa crise. A Bolsa de Valores vai sentir e é possível que o dólar deixe de cair no mercado interno. Mas a economia brasileira só começaria a sentir se a crise derrubar as cotações de produtos primários brasileiros (como soja, minério de ferro, açúcar etc.), o que só ocorreria na hipótese de uma redução expressiva no crescimento da China. O que não está em cogitação agora, mas a médio prazo, sim.

enviada por Luis Nassif






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