08/08/2007 07:00
A crise externa e o Brasil
Coluna Econômica 08/08/2007
Não é pessimista a visão de alguns dos principais bancos internacionais em relação à economia brasileira.
No Forex Report de um deles, são identificadas mudanças fundamentais na forma de atuar do Banco Central, a partir da alteração na composição da diretoria, meses atrás, saindo economistas extraordinariamente ortodoxos, dando lugar a operadores de mercado mais pragmáticos.
Como conseqüência, o BC decidiu retomar os cortes de 0,50 ponto na taxa Selic. Cortando as taxas em um ritmo mais acentuado, o BC passou a atuar sobre o fator que mais impacta o câmbio, segundo o relatório.
Como se sabe, os investidores externos comparam a rentabilidade interna com as aplicações em títulos da dívida brasileira lá fora. Se as taxas internas forem superiores, eles trazem dólares para cá. Nos últimos anos ganharam fortemente em cima de dois fatores: taxas de juros mais a valorização do real.
Com o dólar caindo abaixo de 2 reais e com a redução da taxa Selic, o BC se aproxima mais do nível de equilíbrio com as aplicações externas, diz o relatório.
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Segundo o Report, permanece a tendência de valorização do real, em função da conta capital (taxas de juros em queda, mas ainda altas) e da conta corrente. Por isso, o banco mantém a recomendação da instituição para que os clientes continuem tomando risco cambial. Mas alerta que, com a queda das taxas de juros, os generosos prêmios pagos pela exposição ao real, em breve chegarão ao preço justo. Prevê o dólar na faixa de R$ 1,75. A partir daí o BC deverá ampliar os cortes da Selic para 0,75.
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Segundo o banco, a economia brasileira está menos exposta aos riscos do mercado subprime de hipotecas nos EUA. Aponta como sinais o patamar recorde de reservas (US$ 156 bilhões), o crescimento do PIB convergindo para 4,75% até o fim de 2007; o quinto ano consecutivo de superávit em conta corrente, apesar da valorização do real.
O relatório sugere menor exposição ao CDI (aplicações de renda fixa) e uma aumento dos investimentos em ativos de risco. Pela ordem, recomenda ações, câmbio e fundos multimercado. Para renda fixa, a recomendação é de neutralidade. Não recomenda papéis corrigidos pela taxa de inflação.
As ações brasileiras
O relatório considera que ainda há espaço para a valorização das ações no país. Há uma medida de valor (a relação preço da ação dividida pelo lucro anual) que é de 10 vezes bem menos do que em outros países emergente Além disso, é um dos poucos emergentes em que nem as taxas de juros locais caíram na proporção justificada pela queda dos yields (taxas de juros em dólares da dívida externa soberana), nem o crescimento do PIB real respondeu por completo à redução das taxas de juros.
Ainda é uma incógnita se a valorização das ações será resultado da apreciação do real ou do aumento de preços em reais (resultado do crescimento). Mas as duas pontas ainda são favoráveis.
Os setores mais recomendados são os seguintes:
Financeiro
Bens de consumo duráveis
Bens de consumo não duráveis
Materiais
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enviada por Luis Nassif
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