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11/08/2007 13:24

A crise internacional – 1

Ponto 1: a volatilidade dos ativos

Para analisar a crise financeira internacional, o primeiro passo é entender a extraordinária volatilidade que acabou contaminando o sistema de preços internacionais com o livre fluxo de capitais, as políticas cambiais frouxas e a enorme liquidez internacional.

Quando a maré está para cima, os ganhos criam um efeito-bolha facilmente.

Confira a tabela. Lá se mostra o efeito de dois fenômenos sobre os preços dos ativos: as taxas de juros internacionais e a apreciação do real.

Taxas Internacionais

Suponha uma empresa que renda US$ 101,86 por ano. Se as taxas de juros internacionais estiverem em 8% ao ano, o valor da empresa corresponderá ao valor presente, descontada à taxa de juros internacionais (e um adicional de risco, dependendo do país e do setor). No caso, tomando-se um prazo de 20 anos, a empresa valeria US$ 1.000,08.

Em outras palavras, quer dizer o seguinte: para conseguir US$ 101,86 por ano, durante 20 anos, a uma taxa de 8% ao ano, preciso depositar US$ 1.000,00 no banco.

Se a taxa de juros cair para 7%, o valor presente do investimento aumenta. Para obter os mesmos US$ 101,86 por ano, com uma taxa de 7% ao ano, o valor do investimento deverá subir para US$ 1.079,11 – uma elevação de 7,9%.

Se a taxa de juros internacional cair para 4%, só por conta dessa queda os investidores aceitarão pagar US$ 1.384,31 pela mesma empresa, rendendo os mesmos US$ 101,86.

Veja que apenas pelo efeito da queda dos juros internacionais de 8% para 4%, a mesma empresa, com o mesmo rendimento, teve um aumento de valor de 38,4%.

Esse movimento explica o extraordinário aumento dos ativos reais em todo mundo nos últimos anos.

Câmbio Brasil

Cada vez que um investidor traz dólares para o Brasil, ele ganha com a apreciação do real e perde com a desvalorização.

É simples. Com US$ 1.000,00 e o dólar a R$ 2,30, ele consegue converter em R$ 2.300,00. Se na hora de sair o dólar estiver a R$ 2,00, com os R$ 2.300,00 ele conseguirá adquirir US$ 1.150,00 – sem considerar os ganhos que teve aplicando os reais.

Compare que um investimento de US$ 1.000,00, com a taxa a 13% ao ano e o dólar a R$ 2,30, poderá significar um ganho de até 36,8% apenas pelo efeito da queda do dólar de R$ 2,30 para R$ 1,90.

Câmbio + juros

Agora junte os dois fenômenos. Em um caso extremo, um investidor que trouxe US$ 1.000,00, com as taxas internacionais a 8% e o dólar a R$ 2,30, poderá ter um ganho de quase 90% com a combinação da queda das taxas internacionais para 4% e do dólar para R$ 1,90.

São essas possibilidades que provocam movimentos de bolha.

A roda da fortuna

Agora inverta a mão.

Nas colunas da direita se mostra o efeito inverso: os juros internacionais (ou com risco Brasil) aumentando para 8% ao ano, o dólar indo de R$ 1,90 para R$ 2,30 e a rentabilidade do investimento interno caindo para 10%.

Há o risco do investidor perder até 31% do que investiu aqui.

Essa extrema volatilidade é elemento essencial para entender os movimentos-manada do mercado internacional.



enviada por Luis Nassif






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