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13/08/2007 11:27

A crise internacional – 2

Economia financeira x real

O que poderá afetar o Brasil, em caso de agravamento da crise internacional, são os componentes da economia real.

Para efeito didático, vamos dividir a economia em dois pólos: o financeiro, com seus componentes de juros e risco; e a economia real.

A crise do mercado financeiro se dá de duas maneiras. A primeira, através do efeito-preço. Com menos financiamento, o mercado se retrai e há uma queda nos preços dos ativos, sejam financeiros, seja na economia real (imóveis).

Por sua vez, a queda nos preços dos ativos financeiros obriga à “chamada de margem” (ou seja, depósitos da parte perdedora nas Bolsas, visando melhorar as garantias). Nessas chamadas, investidores são obrigados a vender posições que têm em outros mercados, para cobrir as perdas nesses primeiros mercados. Ao fazer isso, derrubam novos mercados, provocando o efeito-contágio.

Os efeitos sobre o mundo real são interligados. Tome o caso dos EUA. Com queda nos preços dos imóveis e dos ativos financeiros, o consumidor americano se sente mais pobre. Haverá uma queda de ritmo não apenas na construção civil como na aquisição de bens duráveis. Esse desaquecimento afeta igualmente os grandes exportadores para o mercado americano, como é o caso da China.

No caso do desaquecimento global, o Brasil seria afetado de duas maneiras. A primeira, com a queda no volume exportado de matérias primas. A segunda, com a queda nos preços das matérias-primas – que serão desinflados não apenas pelo desaquecimento global como pela menor atividade dos especuladores, em função da redução no mercado de crédito.

Sobre o mercado cambial, haverá dois efeitos. Um deles, a redução do fluxo de dólares que entra pelo mercado financeiro. Essa redução será benigna, pois permitirá uma desvalorização relativa do real, impedindo o aprofundamento da desindustrialização brasileira.

O risco maior é se a queda nos preços de commodities for tão acentuada que volte aos níveis de 2003. Nesse caso as contas externas brasileiras voltariam a ficar vulneráveis.

Tudo isso são hipóteses, possibilidades, mas que dependerão intrinsecamente da intensidade desse movimento de ajuste de ativos globais.




enviada por Luis Nassif






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