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07/08/2007 07:00

A nova petroquímica

Coluna Econômica – 07/08/2007

A consolidação da petroquímica brasileira avançou um pouco mais, com a compra da Suzano Petroquímica pela Petrobrás. O valor foi expressivo: US$ 1,4 bi, equivalente a dez ou onze vezes o EBITDA (lucros, antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Mas está embutido aí o valor estratégico da companhia, para a consolidação do Pólo Petroquímico do Sudeste.

Algumas semanas atrás, a Petrobrás entrou em contato com a Unipar e a Suzano, sugerindo que uma adquirisse a outra para, depois, poder se associar à empresa na constituição do pólo.

Nos últimos anos, a Unipar havia se enredado em uma pesada briga societária, que praticamente paralisou as decisões. Meses atrás conseguiu certa estabilidade, com a união de três herdeiros contra outros dois herdeiros, garantindo um controle precário sobre a companhia. Coube à Unipar o primeiro lance, oferecendo US$ 900 milhões pela Suzano. Os controladores não aceitaram, inclusive porque tinham a intenção de liderar o processo. Mas havia divergências com a Petrobrás, quanto ao modelo de gestão que seria adotado.

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No meio das negociações, dez dias atrás a Petrobrás apresentou à Suzano a proposta considerada irrecusável pelos seus controladores. Nesse ínterim, a Petrobrás iniciou conversações rápidas com a Unipar, chegando a um acordo, segundo me relatou Paulo Roberto Costa, diretor de abastecimento da empresa. Pelo acordo, a Unipar concorda em aportar seus ativos à nova central, recebendo como contrapartida ações da nova empresa.

Consolidado esse segundo movimento, é intenção da Petrobrás atrair outros investidores, inclusive financeiros, para não ter maioria de capital. Mas já informou que controlará a operação.

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Segundo Costa, a nova central vai focar apenas os termoplásticos, a cadeia do polipropileno e polietileno – da qual a grande concorrente é a Brasken, do grupo Odebrecht.

Em polietileno, a nova Central terá três empresas produzindo, somando 1,8 bilhão de toneladas ano. Com Camaçari e Pólo do Sul, a Brasken produz 1,865 bilhão. Em polipropileno, a Central do Sudeste mais Suzano irão produzir 1,7 bilhão de toneladas, contra 1,05 bi da Brasken.

Haverá equilíbrio entre as duas companhias. Segundo Costa, com esse movimento encerra-se o processo de consolidação da petroquímica brasileira, esfacelada no processo de privatização. Saiu-se do modelo tripartite anterior (1/3 de capital estatal, 1/3 privado nacional e 1/3 de privado estrangeiro) para uma venda de pedaços de empresa, destruindo a lógica das centrais de matéria-prima, que exigem integração e escala.

A intenção, agora, será desenvolver dois grupos com capacidade de competir no mercado internacional em termos de escala, tecnologia e produtividade.

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No fundo, a compra reflete a nova etapa da Petrobrás. Com o extraordinário crescimento dos últimos anos, a empresa passou a ter enorme lista de projetos que refletem o desenvolvimento dos diversos grupos internos. Tem o grupo que quer retomar a presença da empresa na petroquímica; o grupo que aposta no álcool, gás, eletricidade. E o Brasil ficou pequeno demais para o tamanho da empresa.

enviada por Luis Nassif






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