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09/08/2007 07:00

A posição estratégica da Petrobrás

Coluna Econômica – 09/08/2007

Ontem apresentei na coluna as razões da Petrobrás para a aquisição da Suzano Petroquímica. Há outros enfoques relevantes que precisam ser considerados.

O Brasil tem estoque finito de capital. A Petrobrás tem desafios enormes de investimento, previstos inclusive no PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). E estava cumprindo um papel relevante de coordenadora dos investimentos de grandes grupos privados nacionais.

No setor petroquímico, há um desenho histórico, desde a privatização. Por ele não se misturariam as funções de fornecedor de matéria prima e de processadores. A Petrobrás é a fornecedora universal. O segundo grupo ficaria sob controle de empresas privadas nacionais, tendo a Petrobrás como sócia.

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Ao se dispor a pagar pela Suzano Petroquímica 11,4 vezes o EBITDA, a Petrobrás atropelou essa lógica. Pelo valor oferecido, foi como uma chamada “oferta hostil”. De um lado, provocou um primeiro ruído no mercado, referente ao valor.

No setor, internacionalmente os preços costumam ser de 5 a 6 vezes o EBITDA. Em circunstâncias especialíssimas, sete vezes. Saltou-se de uma oferta inicial de R$ 2 bi para R$ 2,7 pela Suzano. Houve muitas reclamações dos investidores – especialmente os internacionais - em relação ao preço pago e à falta de transparência da operação – no caso, carência de informações sobre a importância estratégica da compra.

De outro, empatou-se um capital pesado em um investimento que não irá agregar um tostão à capacidade instalada do setor ou aos investimentos brasileiros.

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Ao que tudo indica, a idéia da Petrobrás foi a de consolidar o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro). Havia dificuldade em atrair investidores, dada a dimensão do investimento – de cerca de US$ 8 a 9 bilhões.

Mas existem problemas de monta. Para que o pólo seja bem sucedido, haverá a necessidade da incorporação de um conjunto de empresas de segunda geração. A Unipar participa com a Suzano da Rio Polímeros; com a Brasken da Petroflex. Pelo acordo de acionistas, um dos lados tem direito de preferência de adquirir a participação do outro. Portanto, há um componente claro de risco para a Petrobrás nessa compra da Suzano. Se essa operação não for bem amarrada, a Petrobrás não conseguiria entrar na segunda geração como ator importante.

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Há algum tempo a Unipar adquiriu ativos da Dow Química, e anunciou a intenção de ser ator relevante na reestruturação do setor petroquímico, agora que foram resolvidos os problemas da sucessão do patriarca Paulo Geyer. Nesse arranjo, há o risco da Petrobrás comprar, mas não levar duas empresas importantes.

O segundo ponto é que a Petrobrás estava se tornando em uma grande articuladora do capital privado nacional – em um momento em que há grande risco de internacionalização dos grandes grupos.

Se a Petrobrás resolver assumir o chamado protagonismo do processo, é mais provável que grandes grupos nacionais que têm bala na agulha considerem mais seguro investir fora, tal a desproporção entre eles e a Petrobrás.

Em suma, há uma questão estratégica em discussão, que não pode ficar restrita à própria Petrobrás.

Para incluir na lista Coluna Econômica

enviada por Luis Nassif






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