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15/08/2007 07:00

As "bolhas" especulativas

Coluna Econômica – 15/08/2007

Dois indicadores deverão ser bem acompanhados na atual crise internacional: os de crédito e os preços de commodities. Os de crédito anteciparão os efeitos da crise sobre o crescimento mundial; os de commodities, sobre os preços dos principais produtos de exportação brasileiro. São os dois fatores capazes de influir na economia brasileira nos próximos meses.

O próprio fato de o dólar ter batido nos R$ 2,00 ontem revela, de um lado, o investidor brasileiro ainda muito escaldado das crises anteriores. Mas mostra que não dá para minimizar os efeitos da crise sobre a economia brasileira.

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Nos últimos quinze dias, as principais commodities metálicas registraram queda de até 20%, influenciadas principalmente pela crise imobiliária nos Estados Unidos. As previsões do FMI, de crescimento da economia mundial, e desaquecimento da americana, são muito precoces, feitas no epicentro da crise. Na verdade, continua todo mundo com o dedo no gatilho, aguardando mais novidades.

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O consultor André Delben Silva, da Advisor Asset Management, montou um modelo interessante de analise das ondas especulativas, a partir dos estudos da consultoria de investimentos Gavekal de Hong Kong.

A consultoria definiu quatro tipos de bolhas especulativas, a partir da combinação de quatro fatores. No plano dos recursos, o grupo de “bolhas” provindas de financiamento bancário; e aquelas que nascem no mercado de capitais. No plano das aplicações, as bolhas produtivas (que deixam saldo de novas tecnologias) e as não produtivas (em cima de ativos).

Na categoria “produtivas com empréstimos bancários”, situa a bolha das ferrovias americanas no século 19; “produtivas com mercado de capitais”, as bolhas tecnológicas dos anos 90; “improdutivas com empréstimo bancário”, a especulação imobiliária dos anos 80, financiada por bancos japoneses; “improdutiva com mercado de capitais”, a especulação com ouro nos anos 70

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Ponto interessante do trabalho é o processo de consolidação de falsas convicções que levou à bolha da Nasdaq. Tomando por base as avaliações do então presidente do FED (o Banco Central americano), a consultoria dividiu a especulação em três fases. Na primeira fase, do Ceticismo, em 1996, Greesnpan alertava para a “exuberância irracional” dos ativos. Na segunda fase, da Confiança (em 1998) manifestava fé na Nova Economia, e no crescimento sem precedentes dos EUA. Na terceira fase, em 2000, da Certeza, dizia que “é difícil negar que algo fundamentalmente mudou”. Essa fase, da Certeza, aconteceu pouco antes da “bolha” explodir.

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Há diferenças de agora em relação à crise da Rússia, em 1998. Economista-chefe do Banco Itaú, Thomas Malaga julga que, na atual crise internacional, a supervisão do BIS (o banco central dos bancos centrais) avançou muito, no campo da administração de risco.

Malaga não chega ao ponto de afirmar que a atual crise não terá repercussão na economia real. Muitos investidores irão pagar caro. Todos os indicadores de crédito apontam os bancos emprestando menos, afetando consumidores e investidores, o que deve influir no crescimento mundial. Mas não acredita em nada drástico.

De qualquer modo, o Departamento Econômico do Itaú reduziu a queda da taxa Selic para três reduções de 0,25 até o final do ano.

Para incluir na lista Coluna Econômica

enviada por Luis Nassif






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