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06/08/2007 07:00

O Brasil e as mudanças climáticas

Coluna Econômica – 06/08/2007

A questão das mudanças climáticas entrou definitivamente na pauta dos cientistas brasileiros. Até 1996 não havia pistas de que o clima estaria mudando. Naquele ano, Eduardo Assad, principal especialista da Embrapa, chegou a escrever artigo negando a existências das mudanças climáticas, conta ele.

Aí começaram a ser publicados os relatórios do IPCC (Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas), da ONU, sobre mudanças climáticas, o primeiro saindo em 1990.

Os primeiros relatórios apontavam alterações climáticas causadas por efeitos naturais. Mas havia algumas pistas fortes de efeitos antropogênicos (provocados pelo homem), como o gás do efeito estufa.

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Com o relatório de 2001, os climatologistas juntaram dois modelos de análise, de temperatura e de chuvas, e ficou evidente o efeito da mão do homem no aumento da temperatura nos últimos cem anos.

A partir daí, houve mudança de posição entre os cientistas brasileiros. A análise temporal mostrou que nos Trópicos houve aumentos de temperatura de cinco ou seis pontos, e de temperatura mínima de 2 graus Celsius.

Algumas vozes céticas continuaram não acreditando nas mudanças climáticas porque analisando apenas o meio físico, mas não o biótico – as plantas “respiram” e tiram CO2 da atmosfera. Nos últimos dez anos, começaram a aparecer evidências mais fortes desse efeito biótico.

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Até fevereiro deste ano, o cenário mais pessimista apontava para a possibilidade da temperatura global aumentar de 5,8 graus cem anos. Esse horizonte começou a reduzir. Recentemente o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) preparou relatório onde regionaliza a previsão de temperatura. Na maioria dos biomas (conjunto de comunidades) da Amazônia, o aumento deverá ser de 4 a 6 graus centígrados.

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O trabalho da Embrapa consistiu em replicar esses modelos para a agricultura, sabendo que quando o aumento de temperatura atingir 3 graus, muitas plantas serão prejudicadas. A emissão de gás de efeito estufa é a que tem maior concentração de CO2. A partir de 500 PPMs (Partícula por Milhão), essa concentração mata plantas. Hoje está em 380 PPMs, crescendo 2,5 PPMs por ano.

Haverá mudanças na matriz de produção agrícola. Café e soja serão as plantas mais afetadas... se não houver melhoramentos genéticos e medidas mitigadoras.

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Segundo Eduardo Assad, o que é uma ameaça para o mundo, poderá ser uma oportunidade enorme ao Brasil.

O primeiro passo consiste em aproveitar melhor as oportunidades abertas pelos Protocolos de Kioto, e pelo mercado de crédito carbono (no qual a empresa que “captura” carbono da atmosfera pode “vender” esse direito para outra que adquire para poder poluir).

O Brasil tem 20 milhões de hectares com plantio direto (aquele em que não se ara a terra), processo único no mundo, porque permite duas safras por ano limpando a atmosfera continuamente.

Existem 100 milhões de hectares de pastos degradados que, à medida em que forem recuperados, têm enorme capacidade de seqüestro de carbono, através da integração pastagem/lavoura. Pode-se dobrar a produção de grãos sem ampliar a fronteira agrícola.

Rede científica - 1

O meio científico brasileiro conseguiu montar uma rede respeitável para analisar as implicações das mudanças climáticas e identificar as vulnerabilidades da agricultura brasileira. Há uma plataforma básica juntando a Embrapa, Unicamp, USP, INPE analisando a vulnerabilidade das culturas, a adaptabilidade e a mitigação dos estragos. Depois, identificando quais os melhores sistemas em quais regiões

Rede científica – 2

Há consenso de que o café acabará saindo de São Paulo, substituído pela cana-de-açúcar. A pesquisa agrícola brasileira terá que sair da primeira geração para a segunda geração. Os estudos analisam a fenologia da planta e a probabilidade de, no pior evento climático já registrado, o que poderá prejudicar a produção. A análise contempla 31 culturas e 680 zoneamentos agrícolas, e é renovada anualmente.

Rede científica - 3

Segundo Hilton Silveira Pinto, da Unicamp, esses estudos permitiram desde 1995 um zoneamento de riscos climáticos para a agricultura, que indica aos agricultores quando e o quê plantar. Esse zoneamento transformou-se em política pública do Ministério da Agricultura, em referência para os financiamentos do Banco do Brasil e do Pronaf e para o seguro rural. Os estudos garantem 80% de margem de acerto.

Rede científica - 4

A Unicamp acaba de fechar acordo com CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos) para montar cenários regionais brasileiros. Serão feitas simulações a cada 50 km2, para avaliar o que irá acontecer com o Brasil nesse quadro de aumento da temperatura. Os estudos estão sendo financiados pela embaixada britânica. São trinta unidades, com 60 pesquisadores e 78 estagiários e bolsistas sendo formados.

Para incluir na lista Coluna Econômica

enviada por Luis Nassif






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