13/08/2007 07:00
O maior economista brasileiro
Coluna Econômica 13/08/2007
Na sexta-feira passada, o jornal O Valor Econômico resolveu fazer uma eleição para o título de mais importante economista do país. Virou uma disputa ideológica. Os economistas tido por desenvolvimentistas votaram em Celso Furtado; os economistas de mercado em Mário Henrique Simonsen. Alguns votos esparsos para Octávio Gouvêa de Bulhões e Eugênio Gudin. Como havia mais economistas de mercado votando, venceu Simonsen.
Na verdade, o resultado foi definido por quem escolheu o colégio eleitoral. Mesmo assim é uma eleição interessante para definir os dois ícones de duas escolas de pensamento que historicamente dominaram o debate econômico no Brasil.
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A escolha, em todo caso, mostra como a classe dos chamados economistas de mercado não valorizam um de seus princípios prediletos: o institucionalismo isto é, a criação de marcos legais, de instituições que permitam ao próprio mercado se desenvolver de forma apropriada.
Há duas maneiras de se avaliar um economista: por sua contribuição ao pensamento econômico; por sua contribuição às transformações da economia.
Simonsen era um economista brilhante, talvez o mais inteligente de sua geração. Mas não produziu um pensamento original, não agregou nenhuma contribuição efetiva ao pensamento econômico mundial, a não ser em itens referentes à inflação.
Já Celso Furtado produziu uma literatura abundante e relevante sobre a economia do terceiro mundo, além dos estudos sobre desenvolvimento regional e sobre história econômica do país. Teve papel fundamental para formatar o pensamento da CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina) no anos 50. Tornou-se referência mundial,
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No plano institucional, Octávio Gouvêa de Bulhões e Roberto Campos mudaram a face do Brasil na segunda metade dos anos 60, ao consolidar o Banco Central, a reforma tributária, o sistema de correção monetária, reorganizar o mercado de capitais, criar o Banco Nacional da Habitação. Nesse período, Simonsen foi um assistente brilhante, mas de trabalhos encomendados pelos dois economistas, que mesmo sem a inteligência do discípulo tinham uma visão estratégica muito mais desenvolvida.
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Como Ministro da Fazenda, Simonsen foi medíocre. Não tinha disciplina para o dia a dia, a ponto do grande interlocutor na área econômica ser o presidente do Banco Central, Paulo Hortêncio de Pereira Lyra.
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Na análise da economia brasileira, faltava-lhe a visão sistêmica de um Antonio Delfim Netto o grande concorrente dele como maior economista dos anos 70. Não basta conhecer a economia. É necessário conhecer o estado de espírito do empresário, as limitações do Parlamento, o tempo que leva uma reforma para maturar, uma mudança cambial para frutificar. Simonsen sempre foi um esteta, um matemático brilhante, um amante da música, que não gostava de conspurcar a teoria com dados fundamentais da realidade.
Por tudo isso, acho que a eleição de Simonsen está muito mais fruto de um modelo profissional a ser seguido economista, ligado ao mercado (foi conselheiro do Citi), amante de óperas do que a uma avaliação isenta sobre sua importância, comparada à de outros economistas de primeiro time.
Para incluir na lista Coluna Econômica
enviada por Luis Nassif
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