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10/08/2007 07:00

O mercado de crédito de carbono

Coluna Econômica – 10/08/2007

Com os acordos sobre mudança climáticas, e a possibilidade de se vender o chamado "seqüestro de carbono", abriu-se um novo negócio no país, ainda pouco explorado pelas empresas. Por "sequestro" de carbonos se entenda tirar da atmosfera concentração de carbono, um dos principais fatores de aquecimento climático.

Anos atrás foi assinado o Protocolo de Kioto reconhecendo a influência humana nas mudanças climáticas e o papel de responsabilidades comuns, porém diversificadas.

Por esse modelo, decidiu-se dividir os países em dois blocos: os desenvolvidos e os emergentes. Os primeiros passaram a adotar metas de emissão de carbono. No início de cada ano, cada empresa recebe créditos de carbono que poderão ser utilizados no decorrer do período. Se ela ultrapassa sua cota, terá que adquirir cotas de terceiros.

A idéia básica por trás desse modelo de mercado é que induziria as empresas mais eficientes a adquirir os créditos das menos eficientes, diminuindo o custo financeiro total da redução do efeito estufa.

Aos países emergentes caberia o papel de vender seus créditos de carbono – ou seja, todos os ganhos com “seqüestro de carbono” provenientes de mudanças de métodos de produção.

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Hoje em dia, existem 158 projetos aprovados no âmbito da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima, do governo federal, incumbido de fazer a primeira triagem do processo.

Através de metodologia científica, avalia-se de quanto será o "sequestro de carbono" decorrente do empreendimento. Desses projetos, há 19 de aterros sanitários. O aterro impede o metano de ir para a atmosfera. Há 48 de biomassa. A queima de álcool libera tanto CO2 (a substância que gera o carbono) quanto a queima de gasolina. Só que na produção de álcool, há um sequestro de carbono bem maior que na queima no motor.

Dezenove dos projetos são de PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas); cinco de energia eólica; três de hidrelétricas; dez de troca de combustível fóssil por energia renovável; 31 de suinocultura.

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Há um risco inicial, de preparar o projeto e submeter à Comissão. O projeto tem que ser validado por uma empresa certificadora. Depois de validado, é apresentado à Comissão. Aprovado, é registrado na ONU (Organização das Nações Unidas). Depois de um ano, se aprovado, permite negociar os créditos no mercado internacional.

Já existem bancos japoneses negociando créditos com o Japão e bancos europeus negociando com o mercado da União Européia. O empresário pode vender seus créditos menos antes de começar a gerar direitos. Nesse caso, o comprador compra com desconto.

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Prefeituras podem se beneficiar desse modelo, utilizando os créditos para construir aterros sanitários. Fabricantes de PCHs também, assim como usineiros e plantadores de cana. Uma PCHs, por exemplo, exige investimento de R$ 30 milhões, mas poderá obter 2,5% ao ano com crédito de carbono. Estima-se que, no caso de um suinocultor, os ganhos podem corresponder a 5% da receita.

Obviamente, ainda é uma atividade para empreendimentos maiores. Mas é um mercado que, no âmbito do governo, poderá resultar em bons recursos para o financiamento de políticas ambientais.

Para incluir na lista Coluna Econômica

enviada por Luis Nassif






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