21/08/2007 07:00
Os dois tempos da crise
Coluna Econômica 21/08/2007
Ex-presidente do Banco Central no governo Fernando Collor, Ibrahim Éris é um dos craques do mercaddo. Economista de formação sólida, tornou-se um dos primeiros gestores de fundos agressivos, tornando-se um dos perdedores na grande crise da Rússia em 1998 - ao lado de outros campeões do mercado.
Perdeu dinheiro, mas ganhou em sabedoria. Hoje em dia, provavelmente é a voz mais acatada no mercado, sobre fenômenos financeiros. É nessa condição que Éris considera exagero tratar a atual crise meramente como a do "subprime" - as hipotecas de risco do mercado americano. é uma crise global, devido `a enorme liquidez internacional Só se estava aguardando um rastilho para detonar a bomba.
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Éris divide a crise atual em dois momentos. O primeiro, o do pânico.
Para entender esse primeiro momento, é importante juntar dois fenômenos interligados no mercado financeiro: a volatilidade dos ativos (isto é, a oscilação das cotações) e a alavancagem (a capacidade de tomar crédito por parte dos fundos e investidores em geral).
Quanto menor a volatilidade, maior a propensão dos tomadores em tomar crédito, e do sistema bancário em conceder. Com menos volatilidade, teoricamente há menos risco.
Esse quadro de aumento sistemático no preço dos ativos mundiais, sem maiores volatilidades, desarmou o mercado dos riscos inerentes ao negócio. O que se viu foi a baixa volatilidade provocando uma explosão de endividamento.
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Quando a volatilidade explode, os fundos têm que vender ativos para fazer frente a dois fenômenos: a corrida dos investidores; e a adequação do nível de endividamento ao valor patrimonial da carteira.
Precisando se desfazer dos ativos, o primeiro passo do gestor é buscar liquidez, fazer dinheiro, isto é, se livrar de seus ativos mais líquidos, privilegiando a liquidez em detrimento da qualidade. Literalmente joga fora o pote de ouro. E aí tem início o efeito contágio.
O sujeito que se endividou em yens para aplicar em reais, por exemplo, de repente tem que voltar correndo para o yen para liquidar seu financiamento. Quando faz isso, provoca uma valorização da moeda em relação ao dólar, derrubando investidores do yen que nada tinham a ver com o "subprime"
É o que está ocorrendo nesse momento, e só irá se acalmar quando cessar a volatilidade. Por isso mesmo, não adianta comemorar uma alta nas Bolsas hoje, se amanhã vier nova baixa. Só depois de algumas semanas será possível, saber se a volatilidade foi reduzida.
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Passada a fase de volatilidade, entra-se no segundo tempo. Nesse período, o investidor voltará a privilegiar a qualidade, em detrimento da liquidez. E, aí, o Brasil poderá ser uma boa aposta, segundo Éris, desde que mantenha as contas externas em ordem.
Segundo ele, as empresas brasileiras ostentam altos níveis de rentabilidade, o mercado interno está forte, fatores que poderão estimular a vinda de investidores, atrás de ativos reais.
Por ora, é aguardar a poeira baixar e ruírem os últimos edifícios abalados.
Para incluir na lista Coluna Econômica
enviada por Luis Nassif
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